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Milo Araújo

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Manual de tratamento ao ciclista

ECOA

04/11/2019 10h02

Sabemos que segundas são dias de muita agitação. Todo mundo está correndo para "tirar o atraso do final de semana". Uma grande desvalorização do sagrado descanso que dura curtos dois dias. 

Hoje é uma segunda-feira, e levei uma das maiores finas (quando o carro passa quase encostando no ciclista. Normalmente este recurso é usado com fins "disciplinares" por parte dos motoristas) Eu estava pedalando pelo meio da faixa, sendo esta a forma menos perigosa de seguir em vias mais agitadas, e muito que, de repente, eu estava dividindo ¼ da via com um carro raivoso.

Claro, sentimos muita raiva. Queremos xingar, perseguir, quebrar retrovisor. Tudo isso! É difícil ter a vida ameaçada assim por motivos tão banais. Porém vamos tentar fazer uma melhor análise para não cairmos completamente no caos urbano.

Eu acredito que existem muitas razões diferentes e concomitantes para chegarmos a este tipo de comportamento. Até porque esta conduta sofre alterações se o ciclista for uma mulher, um homem, se for não-branco, e por aí vai. Numa perspectiva um pouco mais otimista, também temos fatores educacionais. Quando eu tirei minha carta de motorista, fui uma exímia aluna (acreditem, eu sou uma ótima motorista) e, mesmo prestando atenção nas aulas, não fui muito impactada pelo rápido enfoque que é dado para a questão de ciclistas em via. Vale lembrar que no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) a bicicleta é designada como veículo.

Tudo isto posto, resolvi de forma bastante prática trazer algumas dicas que colhi dentro da comunidade de pedaladores de bicicleta sobre como lidar com uma pessoa em cima de duas rodas na frente, do lado ou atrás do seu carro.

  • Procurar realmente ler o CTB.
  • Cuidar do espaço do ciclista. O indicado é manter uma distância de 1,5 m do ciclista ao fazer ultrapassagens. 
  • Diminuir a velocidade ao ultrapassar o ciclista.
  • O motorista deve entender que o ciclista tem tanto direito de ocupar a via quanto carros.
  • Não ficar buzinando enquanto o ciclista está subindo uma ladeira. É muito desestabilizador.
  • Dar preferência na via.
  • Não assustar o ciclista. A bicicleta também tem pontos cegos.
  • O ciclista deve procurar sempre ocupar o centro da faixa, como se "fosse um carro", para evitar ser pressionado lateralmente por carros.
  • Agradecer, mesmo quando for óbvio ou esperado.
  • O ciclista deve olhar no olho e só agir quando tiver certeza que o motorista o avistou.
  • Tentar ao máximo ser visto.
  • Carros e ciclistas devem sempre sinalizar suas ações.
  • Não parar com carros em cima de ciclofaixas.
  • Se abster de distrações, como atender o celular.

Gostaria de agradecer muito todas as pessoas que me enviaram sugestões de dicas para montarmos este singelo manual de boa convivência entre carros e bikes. Vamos seguir construindo juntas e juntos uma cidade para geral.

Sobre a Autora

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

Sobre o Blog

O pedal da Milo entra em ação, de olho na mobilidade urbana. Aqui se fala sobre formas de transitar, ocupar e viver as cidades.

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