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Milo Araújo

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O que aprendi parada no trânsito na praia?

ECOA

23/11/2019 04h00

Ultimamente minha forma principal de locomoção tem sido a bicicleta. A ida e volta do trabalho é em cima das duas rodas e, se quero ir pra algum lugar de noite e pretendo beber, costumo ir de ônibus/metrô ou pedir algum carro em aplicativos. Ou seja, tenho mantido uma relação distante com carros, pois realmente acredito que não faça mais sentido incorporar essa mentalidade no meu dia a dia. 

Outra coisa que fazia muito tempo também que eu não fazia era ir à praia. Eu estava realmente chateada de ainda não ter visto o mar este ano, então neste último feriado me esforcei bastante para descer para Ubatuba.

Fomos eu, meu boyzinho e outras amizades. A estrada tava tão gostosa que eu nem estava lembrando por que eu sou tão antipática à ideia de carros, até que pegamos um trânsito no final da serra que aumentou em no mínimo 1 hora a nossa viagem. Foi bastante irritante, mas entendo. Era feriado, e o brasileiro tem vivido um ano difícil. Todos só queremos desestressar.

Chegando lá, fiquei feliz demais de estar andando só de biquíni e chinelo para tudo que é canto. Passamos a maior parte do dia na praia do Tenório tostando no sol.

Em algum momento resolvemos trocar de praia, afinal só tínhamos aquele dia para aproveitar e queríamos ver o máximo possível das belas praias do litoral norte.

Primeira situação desagradável ao trocar de praia: assim que colocamos nosso carro na vaga, um grupo de pessoas veio nos cobrar sobre estarem guardando a vaga para um outro carro de amigos deles que estava por chegar. Depois de breve discussão, deixamos a cena e descemos pra praia do Lamberto. A praia não deixava nada a desejar. 

Completamente paradisíaca! Porém, quando voltamos para o carro, já com aquela fome e cansaço característicos de um dia inteiro de praia, reparamos que um dos nossos pneus havia sido esvaziado pelo grupo de pessoas que estavam se vingando pela vaga ocupada. 

Eu tentei encarar da forma mais positiva possível. Aproveitei e tentei aprender como se trocava um pneu de carro, afinal nunca sabemos quando vamos encarar uma situação dessas apenas com nossas próprias habilidades para contar. Depois de resolvida essa situação, seguimos nosso caminho. Mas você acha que foi fácil chegar até nosso destino? Pois é, não foi.

Depois da segunda ou terceira curva na estrada, no horário das 17h mais ou menos, descobri que existe um enorme engarrafamento por conta do fim do horário da incidência do sol nas praias. Para atravessar 4 km demoramos inacreditáveis 2 horas! Ficamos 2 horas dentro de um carro para atravessar um espaço curto porque somos, como sociedade, extremamente viciados em nos locomover de carro. Durante essas 2 horas, observei bem o acostamento. Muitas bicicletas estilo caiçara passaram. Que elas chegaram bem antes de todos nós é uma grande certeza. Enquanto estávamos parados naquele enorme trânsito paulistano feito em sua maioria por paulistanos em plena Ubatuba, os moradores passavam tranquilos sentindo aquele ventinho de maresia nos cabelos. Nosso pensamento carrocrata é tão individualista que, ao pensarmos apenas no conforto próprio, acabamos presos em longas filas na crença de que estamos sendo de alguma forma ágeis ou mais civilizados em algum nível.

Se tem uma coisa que eu aprendi nesse último feriado que viagem pra mim só funciona com as passagens do busão compradas e bicicleta no porta malas.

Sobre a Autora

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

Sobre o Blog

O pedal da Milo entra em ação, de olho na mobilidade urbana. Aqui se fala sobre formas de transitar, ocupar e viver as cidades.

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