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A tarifa vai subir. E agora?

ECOA

06/01/2020 04h00

Eu estudei o Ensino Fundamental numa escola bem perto de casa. Por volta de 1 km de distância. Me lembro de ir andando papeando com as amizades da época, pois o trajeto era composto por retas e descidas, e retornava de busão, que na época custava em torno de R$ 1,70 a R$ 2. Acabava não pesando muito no orçamento da minha família e acabei incorporando bem o transporte público a minha rotina.

Quando parti para o Ensino Médio, minha locomoção tomou outra envergadura. Minha mãe queria me afastar das escolas do meu bairro, que apresentavam grandes índices de violência e me matriculou numa escola super longe de casa. Eu acordava às 5h da manhã, no Capão Redondo, para estar sem atrasos às 7h no Brooklin. Este foi um período em que criei maior entendimento sobre a dura dinâmica do transporte periferia-centro. Terminais lotados, longas filas, extensos períodos sacolejando em pé até o nosso destino, estivesse fazendo frio ou calor. E durante esses anos, observei a tarifa subir. Lembro dos desconfortáveis R$ 2,30, os polêmicos R$ 3,20 e os impactantes R$ 4,20. Dou também especial atenção devida a estonteante velocidade que ocorreu este processo. O que me fez pensar que pagar uma quantia de dois dígitos numa passagem de metrô ou busão não me parece um cenário tão distante, porém segue sendo uma idéia absurda.

A micropolítica, nossa ação diária em contato com esse mundo, poderá causar grandes transformações se iniciarmos uma conversa sincera sobre o tema. Os moradores de bairros nobres são menos impactados, então sentam nesse problema. Sabemos que somos uma cidade travada e admitir que não estamos bem é o primeiro passo. Nosso maior dever é focar na melhoria do transporte público e nos meios de locomoção que produzem 0% de carbono. A priori, propor que a bicicleta pode ser uma das soluções para uma real mobilidade e acesso ao município, se tratando de uma cidade com as dimensões territoriais de São Paulo, parece meio absurdo, eu sei. Mas não é.

Mas imagine se tivéssemos bicicletários seguros, públicos, gratuitos e 24h operantes em todas as estações de metrô e trem. Uma malha cicloviária mais abrangente e bem conectada. Motoristas mais conscientes da fragilidade humana do ciclista etc. Esta ideia não pareceria mais tão absurda, não é mesmo? Vamos nos permitir imaginar. A partir daí poderemos projetar, materializar e dar luz aos nossos sonhos coletivos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

Sobre o Blog

O pedal da Milo entra em ação, de olho na mobilidade urbana. Aqui se fala sobre formas de transitar, ocupar e viver as cidades.

Milo Araújo