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Pedalar para se sentir melhor consigo mesmo

ECOA

27/01/2020 04h00

Ao ler este título, a primeira impressão pode ser de que vou falar de um lugar bem estético de culto ao corpo. Não desista do meu texto ainda! Me dê uma chance. Posso até pincelar por aí, mas juro que vou passar por outros territórios da autoestima.

O início da escalada da autoestima por meio da bicicleta começa por você estar se propondo a fazer algo que vai na contramão do que é esperado, do que é comum. E essa atitude exige de você força para sair da caixinha dos adultos com automóveis. Nossa sociedade sugere que a vida adulta se completa na compra do primeiro carro. Este tipo de pensamento acarreta em vários sentimentos negativos, afinal, carros não são exatamente um artigo barato e a vida dentro de automóveis é um pouco enlouquecedora, principalmente se você vive numa grande cidade como São Paulo. Portanto, se você quebrou essa lógica de 'carrodependência', parabéns!

Agora que você já está colocando sua bicicletinha, vamos partir para os desafios da categoria! Inicialmente damos preferência a caminhos com menos elevações e distâncias mais curtas. Com o passar do tempo subimos ladeiras menos inclinadas sem nem percebermos. Isso é o nosso corpo desenvolvendo resistência. Nossos músculos estão trabalhando, mesmo quando não percebemos. Se você consegue desenvolver uma certa frequência na sua pedalada, vai ver que trajetos que antes te cansavam já não te cansam mais. A ladeira que você só ia até o começo, você já está subindo até a metade. E quem sabe amanhã você não vai olhar pra ela lá do topo, suando horrores mas com o coração lotado de orgulho?

Se você prefere pedalar solo, então conhece o sentimento de dignidade de chegar ao seu destino são e salvo depois de lidar com buracos, calor ou frio e sabe se lá mais o que aparece no nosso caminho quando estamos pedalando. Se sua praia é um pedal coletivo, o calorzinho no coração vem das conexões incríveis que são criadas quando estamos juntas e juntos desbravando as cidades em cima de duas rodas.

Podemos dizer que pedalar é muito sobre autoestima. Trabalhamos para superar os problemas estruturais de mobilidade, desenvolvemos habilidades corporais, vamos aos mesmos lugares de formas diferentes ou vamos a novos lugares. Acredite, pedalar é mágico e transforma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

Sobre o Blog

O pedal da Milo entra em ação, de olho na mobilidade urbana. Aqui se fala sobre formas de transitar, ocupar e viver as cidades.