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São Paulo vai parar

ECOA

16/03/2020 04h00

Os que me acompanham aqui pelo blog já sabem, eu sou uma ciclista. A bicicleta está incorporada no meu cotidiano e eu procuro todo dia ir trabalhar pedalando. Da minha casa para o escritório da mais ou menos 7 km e eu faço em 26 minutos, por aí. E neste caminho eu tenho observado o seguinte: o trânsito está cada vez mais parado. 

O normal era eu sair de casa, passar pelas ruazinhas do bairro, cair na primeira avenida grande e no início da segunda os carros começavam a andar com lentidão e só quando chegava perto de atravessar o Rio Pinheiros é que começavam a parar. Nas últimas semanas, a lentidão tem começado muitos km antes, até mesmo nas pequenas ruas de bairro. Os únicos que andam são as motos e as bicicletas naquele corredor que fica entre os carros.

Me lembro da época que eu morava mais longe do meu trabalho e não pedalava nada. Dependia bastante do metrô e do trem. Um dos meus passatempos era ficar esperando passar naquela televisãozinha os números do trânsito atualizados. Lembro que sempre ficava chocada com o tanto de trânsito da zona sul. Tudo lento todo dia. Imagino que agora os números devem ser maiores ainda. Tudo quase parando.

Estava marcado para hoje de manhã a veterinária da minha gatinha nos visitar para aplicar vacila nela, que é uma filhotinha ainda. Acordei cedo e esperei, esperei, esperei, e nada da mulher chegar. Logo chegou a mensagem: estou presa praticamente no mesmo lugar e o trânsito não dá sinais de melhoras. Me arrependi de tentar ir de carro.

Claro, para muitas pessoas, o carro é uma ferramenta de trabalho. Para outras, ele é uma ferramenta para cruzar longas distâncias ou ajudar com a rotina de crianças e idosos. Faz total sentido. Mas, para as pessoas que moram em distâncias super praticáveis de transporte público ou bicicleta (ou mesclando os dois modais), eu faço a pergunta: Por que se sujeitam a fazer parte de um nó tão apertado quanto o trânsito desta megalópole? Me parece um desejo meio masoquista, querer passar longos minutos e muitas vezes horas numa fila de máquinas que soltam fumaça quando não se tem uma grande necessidade.

Enquanto esperamos esta resposta, eu aqui coloco minha previsão. Se não agirmos imediatamente e mudarmos a nossa relação com a indústria automobilística não vai existir outro cenário: um dia você vai sair de casa com seu carro, o trânsito vai estar na frente da sua garagem, e São Paulo vai estar completamente parada.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Milo Araújo é designer e diretora de arte, pedaleira, caminhadeira e agora escrevedeira. Aprendeu a andar de bike sem as mãos recentemente.

Sobre o Blog

O pedal da Milo entra em ação, de olho na mobilidade urbana. Aqui se fala sobre formas de transitar, ocupar e viver as cidades.